Quaresma - Reflexão 4ª Parte
REFLEXÃO - QUARESMA
As tentações descritas por Lucas representam, de maneira esquemática, os modos errados de relacionar-se com três realidades: com as coisas, com as pessoas e com Deus. É sobre essa última que vamos refletir hoje.
Na terceira tentação o maligno incita Jesus a se lançar de um precipício, pois os anjos protegeriam Jesus. Mais do que propor o mal, o demônio, de uma forma astuta, deturpa e interpreta de forma dissimulada os escritos da bíblia.
O objetivo aqui não é provocar um desvio moral, alguma fraqueza, mas corroer os fundamentos das relações com Deus. E esse objetivo é alcançado quando o homem cria em sua mente dúvidas de que O Senhor não se mantenha fiel às suas promessas, que falte com sua palavra, que garanta proteção para, em seguida abandonar quem depositou nele a sua confiança.
Nós vemos essa tentação claramente em nossa realidade quando necessitamos de “provas de Deus”. Jesus nunca cedeu a uma tentação, mas nós facilmente cedemos quando só nos sentimos amados por Deus quando tudo corre bem, quando é possível constatar os sinais da sua benevolência. Mas é só surgir uma doença, uma infelicidade, é só uma nuvem negra surgir sobre nós que as dúvidas surgem e várias perguntas com ela: Deus ama os fiéis? Onde está Deus quando mais preciso? Por que Deus não me manda um sinal? Vale a pena acreditar acreditando depois de tudo o que me aconteceu?
Nós fazemos uma barganha, se Deus não der as provas de amor que estamos exigindo, a nossa fé corre o risco de desabar.
Essa talvez seja a forma mais traiçoeira do demônio agir, indiretamente, criando dúvidas, nos colocando contra Deus de uma forma proposital.
Por essas dúvidas que muitos aderem a seitas que prometem curas milagrosas que a igreja baseada em Pedro não oferece.
Deus não prometeu aos seus fiéis isentá-los das angústicas e das tribulações, não prometeu libertá-los da doença e do sofrimento, mas prometeu sim, forças para que não acabem derrotados pelas provações da vida.
Para encerrar essa semana de reflexão sobre as tentações que marcam o evangelho do primeiro domingo da Quaresma, tempo forte, tempo de conversão, vale pensarmos nas nossas atitudes com as coisas, com as pessoas e com Deus.
Como nos relacionamos com os bens materiais?
Como nos relacionamos com as pessoas? Com o poder que temos sobre elas?
Como nos relacionamos com Deus? Costumamos barganhar com ele?
Acima de tudo vale destacar que confiança em Deus deve, evidentemente, ser professada com a vida, principalmente lutando diariamente contra às provações.
Comentarios |



